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Apresentação
O Estado do Pará está intimamente ligado a Amazônia e é uma terra de incrível
beleza e de grande riqueza cultural e folclórica. Belém, considerada a metrópole
da Amazônia foi fundada em 1616 tendo como marco inicial o Forte do Castelo.
Banhada pela Baia do Guajará e pelo Rio Guamá tem belos exemplos de arquitetura
dos séculos XVII e XVIII com casarões azulejados e igrejas barrocas. Através de
um city tour pela cidade velha é possível observar claramente as marcas que o
tempo ainda não apagou.
Devido sua
proximidade com a linha do Equador, seu clima é quente e úmido com temperatura
média de 26ºC e máxima em torno de 35ºC. Suas ruas e praças são arborizadas,
onde a mangueira é a principal espécie.
Uma das
grandes atrações de Belém é o complexo do ver-o-peso, feira de produtos
amazônicos onde se encontra de tudo. Reformada recentemente a feira está muito
mais apresentável e organizada. Visitar a feira é item obrigatório num tour por
Belém.
Outro
destaque do Pará é a exótica culinária. Considerada como a mais autenticamente
brasileira, descende diretamente da culinária indígena. É da floresta e dos rios
amazônicos que são extraídos seus ingredientes, de onde podemos destacar pratos
como: Pato no Tucupi - molho de cor amarela; Maniçoba - uma espécie de feijoada
local; Tacacá - caldo bem quente e apimentado servido numa cuia; Pirarucu,
Tamuatá e Filhote - deliciosos peixes amazônicos. Outro ponto de destaque da
região é a incrível diversidade de frutas tropicais: Açaí, Cupuaçu, Bacuri,
Graviola, Saputi, Araçá, Manga, Taperebá, Muruci, Uxi, etc.
O Círio de
Nossa Senhora de Nazaré é a maior festa religiosa do país e reúne, no segundo
domingo de outubro, uma fantástica multidão de mais de um milhão de pessoas que
percorre cerca de seis quilômetros das ruas de Belém em oração à sua Santa
Padroeira. Principal festa dos paraenses, sua origem remonta ao início do século
XVIII, quando a tradição afirma ter o caboclo Plácido encontrado uma imagem
milagrosa no local em que hoje está a Basílica de Nazaré. A devoção cresceu e em
1793 iniciou-se a romaria, que cresce em número de participantes a cada ano. Os
festejos começam na sexta-feira, quando a imagem é conduzida da capela do
Colégio Gentil Bittencourt (onde fica durante o ano todo) até o vizinho
município de Ananindeua. No sábado segue para Icoaraci, para uma procissão
fluvial matutina, o chamado Círio das Águas, em direção ao centro de Belém,
retornando ao Gentil.
Na noite do
sábado acontece a Transladação, sendo a imagem conduzida à Catedral de Belém, de
onde sairá às 7h do domingo em direção à Basílica de Nazaré, gastando no
percurso entre quatro e cinco horas. Após os ofícios religiosos a data é
comemorada festivamente em todas as casas, com o tradicional "almoço do Círio",
onde cada família católica põe na mesa o que de melhor dispõe, seja nos
adereços, seja no cardápio, cuja estrela é o "pato no tucupi", principal iguaria
dos paraenses. Os festejos "profanos", na área ao lado da Basílica, prosseguem
durante 15 dias e, após isso, acontece o Recírio, procissão que reconduz a
imagem ao seu nicho no Colégio Gentil Bittencourt, onde aguardará o Círio do ano
seguinte.
O Pará é
terra de muita magia e lendas, onde o folclore está presente na maioria das
festas. Tanto em Belém como em outras cidades é possível assistir e participar
de eventos que mesclam as tradições indígenas, africanas e portuguesas através
de ritmos populares, tais como o carimbó, síria, lundu e folguedos de época com
o boi bumbá, cordões de pássaros e de bichos.
O artesanato do
Pará descendem de antigas civilizações indígenas, reproduzem com grande
fidelidade a cerâmica marajoara, criada pelos primitivos habitantes da ilha de
Marajó. O distrito de Icoaraci, que dista cerca de 18 km de Belém, é o principal
centro de produção. Lá, é possível comprar reproduções de peças históricas
(vasos, tangas, estatuetas, etc) ou novas criações obedecendo ao estilo
indígena. Além da cerâmica, existem outras formas de artesanato, utilizando a
imensa diversidade de recursos da floresta, como fibras típicas da região,
raízes aromáticas, batatas, cuias, plumas, etc.
Na foz do rio Amazonas encontra-se o maior arquipélago fluvio-marítimo do mundo.
Com quase 50 mil quilômetros quadrados, o Marajó é maior que vários países
europeus. Sua exuberante paisagem é composta por florestas, campinas, gramados,
praias de rio, lagos de todos os tamanhos, furos e igarapés. A fauna marajoara é
muito rica, onde se destaca o raro guará além de jacarés e muitas espécies de
peixes. Impossível falar de Marajó sem lembrar de seu principal símbolo: o
búfalo. Este chegou à ilha no final de século XIX e hoje o Pará soma 1,5 milhão,
o que representa 50% do rebanho nacional. O búfalo é de fácil adaptação e de
fácil reprodução. Tem grandes vantagens sobre o gado, pois produz mais leite e
sua carne é de qualidade e paladar superior.
As principais
portas de entrada do Marajó são os municípios de Salvaterra e Soure que são
separados pelo rio Paracauari. O acesso à ilha é feito através de barcos, que
dura de duas a três horas dependendo do destino ou através de vôos fretados,
cerca de 15 a 30 minutos. Devido a sua localização, entre o rio e o mar, as
praias fluviais apresentam ondas de até dois metros e dependendo da maré a água
pode ser doce ou salobra.
Meu roteiro
Essa viagem
foi parte de minhas férias de outubro/2002 e através de um pacote de sete dias da
operadora Travel In pude conhecer os encantos de Belém e Ilha do Marajó.
Primeiro dia
Desembarquei no aeroporto de Belém às 13:30h e fui recebido pela Vera com as
boas vindas paraenses. Após uma rápida passagem pelo hotel para deixar a
bagagem, fui apanhado pela Regina, minha guia nos próximos dias, e fomos ao
Bosque Rodrigues Alves, a parte antiga da cidade e ao mercado São Brás. No final
da tarde fizemos um passeio de barco pelo rio Guamá. Neste passeio são
apresentados shows de danças típicas: carimbó, marujada, síria e lundu
marajoara. Além da dança o visual da orla fluvial é muito interessante com muito
movimento de barcos, pois o rio é utilizado como meio de transporte de
praticamente tudo o que chega ou sai de Belém.
No retorno fomos à estação das docas,
antigos armazéns que foram reformados criando um conjunto de bares, restaurantes
e áreas de eventos. Tive a sorte de presenciar nesta noite um show do grupo de
Balé Folclórico da Amazônia com uma bela coreografia e vestimentas
multicoloridas. Na saída passamos por uma sorveteria e não resisti a diversidade
de sabores. Pedi para provar todos os sabores típicos, dentre eles o delicioso
sorvete de tapioca. Para encerrar a noite fizemos um tour pela
cidade onde pude fotografar os principais monumentos e igrejas iluminados.
Segundo dia
A partir
desse dia tive a companhia de um casal de São Paulo, Grabriel e Deise. Começamos
bem cedo num tour pelo Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi. Este
parque retrata as principais espécies da fauna e flora da Amazônia, tais como a
árvore Sumaumeira, o peixe-boi e o incrível poraquê, um peixe elétrico que pode
ferir mortalmente uma pessoa. Mas ao meu ver a grande atração deste parque foi a
vitória-régia, da qual fiz muitas fotos. Outro ponto interessante foi o Parque
da Residência, onde araras soltas fazem a festa dos visitantes.
Logo mais nos
dirigimos a famosa basílica de Nossa Senhora de Nazaré, onde se estava
comemorando o Círio infantil, e milhares de pessoas disputavam um espaço na
basílica e na praça. Mas a grande atração do dia ainda estava por vir e foi na
feira ver-o-peso que pude realmente ver um pouco de tudo que se produz na
Amazônia, desde peixes, carnes, frutas, artesanatos, especiarias e a medicina
natural que tem cura para tudo quanto é problema.
Nosso almoço
foi no restaurante do Hotel Fazenda Paraíso na praia de Mosqueiro. Distante
cerca de 60 km de Belém é um dos locais mais procurados pelos moradores da
capital e costuma ficar lotado nos finais de semanas e feriados. Banhado pela
baia do Marajó, Mosqueiro possui belas praias de água doce com ondas e é local
de muitas casas de veraneio.
Terceiro dia
O dia começou
muito cedo quando as 6h30 estávamos embarcando no Lady Lídia com destino a Ilha
do Marajó. A embarcação é bem grande e além do transporte de turistas também
serve a população. Nas três horas de duração até o porto de Camará em Salvaterra
foi possível observar a vida desta população que faz dos rios suas estradas.
Praticamente tudo gira em torno dos rios e nele se transporta de tudo, até
búfalos.
Após a
chegada em Salvaterra fomos recepcionados pelo Álvaro que nos levou de carro até
outro rio. Lá, fomos pegos pelo Beto, nosso novo guia local e após 30 minutos de
voadeira, uma lancha rápida, chegamos na Fazendo Nossa Senhora do Carmo. Uma das
muitas fazendas ativas de Marajó adaptadas para o turismo ecológico. A fazenda
do Carmo está muito bem localizada e é de uma tranqüilidade incomparável. Após a
chegada e distribuição dos quartos fomos recebidos com um delicioso almoço: filé
de filhote, preparado com um tempero todo especial pela Socorro, cozinheira da
fazenda.
Após o
cochilo na rede, que passaria a ser sagrado nos próximos dias, saímos para uma
cavalgada pelos campos. Cavalgada essa, que deixou lembranças por alguns dias.
Passamos por lagos onde bandos de Jaburus e Maguaris tentavam extrair alimento
no pouco de água que ainda restava. Já no fim do dia fomos até um rio onde o
Beto pegou na mão alguns filhotes de jacarés. Não precisa dizer que fiz muitas
fotos deles. De volta à fazenda era hora do jantar e de contar experiências do
dia e de outras viagens. Numa dessas horas de descanso, examinei o livro de
visitantes da fazenda e fiquei surpreso com o número de estrangeiros que já
visitaram a ilha. Aliás, durante os dois dias que fiquei na fazenda conheci três
grupos da Europa e Ásia.
Quarto dia
Acordamos às
5h30 e fomos de voadeira até os igarapés observar a vida selvagem. Durante o
passeio foi possível observar vários animais, tais como o barulhento macaco
guariba, garça, martinho-pescador, cigana e jurutaí. Outro ponto interessante
nos passeios de barcos pelos igarapés são as raízes aéreas das árvores, pois
essa é uma área de mangue. Retornamos à fazenda para o café da manhã e em
seguida partimos para outro passeio de voadeira, após atracarmos o barco fizemos
uma caminhada pela mata através de um sítio arqueológico, onde pudemos observar
vestígios de uma antiga civilização indígena, como restos de cerâmicas e
utensílios.
O Cláudio,
também guia da fazenda, fez uma impressionante demonstração de como se apanha o
açaí da palmeira. Com a própria folha de outra palmeira ele fez uma espécie de
laço, batizado de peconha, que colocado nos pés permite que ele suba até o topo
da palmeira com uma "aparente" facilidade. O Cláudio também nos demonstrou como
se obtém a cura para muitos problemas com as árvores medicinais. Praticamente
cada espécie da mata tem uma finalidade para o homem, desde fornecer madeira
específica para a confecção de remos, até cura para cólicas, cicatrizantes, etc.
No retorno à
sede da fazenda fomos fotografar os búfalos numa área alagada próxima e após o
almoço aquele tradicional cochilo nas redes. Já com o sol mais fraco fizemos um
passeio de búfalo pela fazenda. Fiquei impressionado, pois apesar de bem maior
que o cavalo o búfalo domesticado é dócil e fácil de se conduzir.
Ao anoitecer
tivemos uma atividade inusitada, saímos de voadeira com o Beto e o Cláudio Dias,
proprietário da fazenda, para a focagem de jacarés no rio. Enquanto Cláudio
pilotava, o Beto iluminava as margens e copas das árvores com uma potente
lanterna a procura de olhos brilhantes, que poderiam ser de jacarés ou cobras.
Para surpresa do grupo, que nesta noite incluía três indonésias, além de termos
visto vários jacarés o Beto pegou com a mão um filhote de cerca de um metro de
comprimento. Após uma pequena sessão de fotos ele foi solto novamente.
Quinto dia
Nos despedimos da fazenda do Carmo e fomos para a Paracauary Ecoresort,
localizada a cerca de três quilômetros de Soure. A pousada fica às margens do
rio Paracauari e logo na chegada fomos fazer um passeio de barco pelo rio e
conhecer o furo do Miguelão, um canal aberto manualmente numa das curvas do rio
para encurtar o trajeto dos pequenos barcos.
Após o almoço
partimos para conhecer um pouco do município e suas atividades, tais como o
artesanato em cerâmica e couro. O próximo programa me deixou extasiado, ao nos
dirigirmos para a praia de Barra Velha, passamos por uma área de alagados com
centenas, talvez milhares de Guarás.
O Guará é uma
ave de porte médio típica da região norte de uma cor vermelha muito forte. Essa
cor é devida a um tipo de crustáceo que é seu alimento predileto. A praia de
Barra Velha é ponto de encontro dos moradores de Soure e vive lotada nos finais
de semanas. Suas águas também passam de doce a salobra dependendo da maré,
apesar do mar estar a cerca de 60 km baia afora.
Para fechar o
dia com chave de ouro retornei para a pousada a tempo de conseguir um belo por
de sol no rio Paracauari e um bate-papo na piscina com um grupo de cariocas e
alemães.
Sexto dia
Fui apanhado
às 7h da manhã pelo Jerônimo da Fazenda São Jerônimo que durante o trajeto me
contou os planos de desenvolvimento turístico na fazenda que ganhou fama
nacional quando serviu de cenário para a realização do programa No Limite III da
rede Globo. Guiado pelo Sr. Raimundo, proprietário da fazenda, e juntamente com
dois franceses, fizemos um passeio de canoa pelos igarapés Goiabal, Tucumanduba
e Tucumandubazinho.
Além das
muitas garças e guarás que cruzaram nosso caminho fiquei impressionado com o
número e tamanho das raízes das árvores do mangue.
Após um
delicioso peixe preparado por Dona Jerônima fiz um passeio pela praia do Goiabal
e praia do Pesqueiro. No caminho dessa praia passei novamente pela área dos
Guarás e não resisti em fazer novas fotos.
Sétimo dia
Acordei muito
cedo e o Álvaro me trouxe para o porto de Camará para pegar o barco das 6h30 de
volta para Belém. Uma vez em Belém fui para Icoaraci visitar algumas lojas de
cerâmica. Foi realmente impressionante ver o trabalho dos artesões e como é
confeccionado um vaso desde a moldagem da argila até o desenho e pintura.
Aproveitei para fotografar várias peças atuais e reproduções de cultura
marajoara na loja Anísio.
Maiores informações
Abaixo estão os dados dos hotéis,
pousadas e fazendas onde fiquei hospedado, além do receptivo em Belém:
Travel In Turismo Ltda (Receptivo Belém - Marajó)
(0xx91) 252-4717 / 252-5386
travelin@nautilus.com.br
Hotel Hilton
Av Presidente Vargas, 882
(0xx91) 217-7000 - Fax: (0xx91) 225-2942
Fazenda Nossa Senhora do Carmo
Salvaterra - Marajó
(0xx91) 241-1019 / 9142-1529 ou 3788-2054
www.amazon.com.br/ats/carmo.htm
Paracauary Ecoresort
Av. Prado, 6 - Soure - Marajó
(0xx91) 3741-1112
www.paracauary.com
falecom@paracauary.com
Fazenda São Jerônimo
Rod. Soure-Pesqueiro, km 3 - Soure - Marajó
(0xx91) 3741-2016 ou 3741-2093
saojeronimo@canal13.com.br
Anísio Artesanato
Trav. Soledade, 740 - Icoaraci - Belém - PA
(0xx91) 227-0127
www.icoaraci.com.br/anisioartesanato
anisioartesanato@bol.com.br
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