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EXCURSIONISMO CONSCIENTE
PRÁTICAS DE MÍNIMO IMPACTO PARA CONVIVÊNCIA COM AMBIENTES NATURAIS|
Na busca de aventura, de contato com a natureza, ou de escapar da
agitada vida urbana, um número crescente de pessoas começa a praticar atividades como
caminhadas, escaladas, incursões a cavernas, mountain bike, etc.. Para qualquer atividade que envolva caminhada, é fundamental ter uma
boa mochila, com uma barrigueira que permita distribuir o peso também nos quadris e não
apenas nos ombros. Cuidado com as mochilas compradas em magazines e lojas de caça e
pesca, elas podem não ser as mais adequadas para caminhadas de mais de um dia: na
dúvida, procure orientação. O saco de dormir deve ser leve e adequado ao clima. Caso
sinta necessidade de uma barraca, escolha uma que seja pequena e leve, porém resistente e
impermeável. Para cada tipo de atividade, certifique-se que dispõe do equipamento mais
apropriado. As improvisações ou o uso inadequado podem causar acidentes graves,
principalmente em escaladas e em cavernas. Grupos muito grandes, além de comprometer a segurança e o meio
ambiente, incomodam os outros excursionistas. Não realize atividades complexas e
perigosas com pessoas inexperientes e sem condições físicas adequadas. Conheça os
problemas de saúde de cada membro do grupo, e certifique-se de que estão levando os
medicamentos específicos, e saiba administrá-los. A natureza não é a inimiga a ser vencida, ela possui mecanismos que
são indiferentes à sua presença, e que permitem seu harmonioso funcionamento. Adapte-se
ao ambiente da maneira menos agressiva possível, aprendendo a respeitar suas regras. O
conhecimento é o melhor instrumento para aproveitarmos os recursos naturais sem
destruí-los. Tome consciência que nós não somos onipotentes; conheça suas
limitações e não banque o herói; conheça bem as características naturais da região.
Respeite plantas, animais, e as forças naturais - frio, chuvas, ondas e rios com
corredeiras, por exemplo podem ser fácil e tragicamente subestimados. Não ande gritando, cantando ou tocando instrumento porque, além de
espantar os animais e os outros excursionistas, o cansaço virá mais cedo. Quando
acampado, procure não molestar os vizinhos; não leve rádios, toca-fitas ou similares.
Os outros não são obrigados a compartilhar seus gostos musicais (caso ache
indispensável leve aparelhos com fones de ouvido). Preste mais atenção aos pássaros e
aos ruídos da mata, você descobrirá coisas incríveis. Escolha locais para banheiro, no mínimo, a 30 metros de distância
das fontes e cursos d'água, trilhas ou qualquer outro lugar de uso comum. Enterre os
dejetos e papel com uma camada de terra de, pelo menos, cinco centímetros; na
impossibilidade, cubra com pedras ou qualquer material disponível. Não deixe nada
aparente, evite a proliferação de insetos e doenças . Mude seus hábitos, não jogue lixo por aí! Toda embalagem que você
trouxe cheia é mais leve vazia, portanto traga de volta todo o lixo que produzir; não
transforme a trilha em um "lixão". Mesmo papéis de bala devem ser guardados.
Não jogue garrafas ou latas nos rios, lagos ou mar; além de estar poluindo as águas,
você estará pondo em risco a saúde das pessoas que nadam nesses locais. Controle seus instintos de destruidor, lembre-se que as plantas
também são seres vivos. Mesmo abrindo trilhas, corte somente o necessário para passar;
contorne as árvores e plantas maiores. Não marque as trilhas cortando as cascas das
árvores; apenas amarre fitas coloridas nos galhos; não corte madeira verde, portanto
viva, para fogueiras. Não retire plantas para que elas enfeitem sua sala, elas ficam
melhor na mata, onde estão. Cada retirada ou corte pode estar contribuindo para a
degradação do ambiente. Não cace. Só pesque o necessário para comer, e apenas em áreas
permitidas. Não mexa em ninhos de qualquer espécie, mesmo cobras e aranhas têm seu
papel na natureza, mantenha-se afastado e não as mate. Não persiga e não pegue
filhotes, de qualquer espécie, pois além de correr o risco de um ataque da mãe, o
filhote pode ser rejeitado por estar com o seu cheiro. Ao contrário da crença geral, os
animais só atacam quando são ameaçados ou quando estão com fome, portanto esqueça-se
dos filmes de "Tarzan". Todos os animais têm por hábito evitar os seres
humanos. Monte seu acampamento a, no mínimo, 20 metros dos cursos d'água
para evitar poluí-los e também para ter mais conforto e segurança em caso de enchente
repentina. Monte a barraca em patamar levemente inclinado e alto em relação ao entorno,
evite depressões. As fogueiras causam a morte do solo onde são feitas e afugentam os animais. Para
cozinhar, já existem fogareiros leves e eficientes, sendo mais cômodos e limpos. Caso
seja imprescindível fazer uma fogueira, limpe o terreno em volta e faça-a pequena,
usando somente a lenha necessária, tome o máximo de cuidado em regiões secas. Se já houver marcas de fogueira no
local, faça a sua no mesmo lugar, evitando novas cicatrizes no terreno. Use somente
madeira morta e seca. Quando for embora ou for dormir, apague completamente a fogueira com
água, inclusive as brasas, para evitar incêndios. Se possível, enterre as cinzas. Todo o lixo ou resíduos deve ficar, no mínimo, a 30 metros da fonte
de água potável. Evite usar sabões e detergentes; quando o fizer, certifique-se de que
são biodegradáveis, use pouco, e retire o excesso de sabão depositando-o no solo, assim
como água de enxágüe. A água de beber deve ser colhida sempre rio acima do local usado
para lavar a roupa e a louça. Para lavar pratos e panelas, use areia de fundo de rio - é
eficiente e não polui. Não jogue restos de alimentos na água. Limpe a louça antes de
lavá-la. Evite tomar água turva, com odor ou gosto.Quando em dúvida sobre a
procedência da água, use cloro ou outro bactericida. Cores fortes causam um grande impacto visual, afugentam os animais e
outros excursionistas. Dê preferência para as cores neutras ou suaves. Não há
necessidade de usar roupas e equipamentos camuflados. As barracas também devem ser
preferencialmente de cores neutras. Porém, sempre tenha uma peça de roupa ou plástico
de chão de cor brilhante, caso de necessite algum tipo de sinalização. Evite causar
movimentos de terra nas trilhas; use calçados leves e coloque pedras nos charcos e
lamaçais. Não abra trilhas paralelas quando a trilha principal não oferecer boas
condições, pois logo as variantes estarão igualmente ruins. Nas cavernas não retire
absolutamente nada, nem mesmo as rochas soltas, e não toque nos espeleotemas -
estalactites, estalagmites, etc. - para não alterar sua formação e não sujá-los. Não
escreva nas rochas e nas árvores sob nenhuma circunstância . Sempre que tiver contato com a população local, trate-os com
respeito. Respeite também seus hábitos e crenças; lembre-se que você é o estranho.
Nunca pense que o fato da cultura deles ser diferente faz de você, superior. Procure
conversar de igual para igual e aprender algo com eles. Não imponha seus hábitos.Obtenha
permissão para passar por sítios e fazendas. Esteja a par da legislação para os
Parques Nacionais e Estaduais e outras áreas protegidas pelo Estado. Caso perceba
irregularidades - como desmatamento, mineração, etc. - em áreas protegidas, comunique
aos órgãos ambientais responsáveis. Não surtindo efeito, recorra à imprensa e
entidades ecológicas. Sempre que puder, oriente outras pessoas sobre preservação e
conservação, mas não seja inconveniente. Muitos acidentes - alguns fatais - em trilhas, rios, praias, etc.,
ocorrem pela ignorância, falta de planejamento, exposição a riscos desnecessários e,
freqüentemente, por simples pânico. Caso pretenda realizar uma excursão e não conte com
os conhecimentos necessários, procure os clubes, empresas de ecoturismo idôneas, e até
mesmo lojas especializadas voltadas para essas atividades, onde poderá obter orientação
quanto a roteiros e equipamentos, ou até mesmo organizando-as conjuntamente. |
