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Esta viagem foi uma extensão de minha viagem à Patagônia realizada em fevereiro
de 1997. Eu e minhas amigas Takako, Yukiko e Rucy tínhamos ainda mais três
preciosos dias de férias, e já que estávamos em Santiago, porque não aproveitar
e dar uma esticadinha de 1600 km até o deserto de Atacama? Pegamos um vôo para
Calama e nos propusemos a uma aventura, agora um pouco diferente. Trocamos os
ventos frios de 10oC em média da Patagônia pelos 40oC ou
mais do deserto. Agora, nossa aventura tomava outra forma, pois não tínhamos os
tão prestativos e úteis guias, o que nesta região não é essencial: basta um
pouco de bom senso para se localizar. Em Calama, alugamos uma pickup Toyota e
fomos para San Pedro de Atacama, um pueblo (povoado)
pré-hispânico, cheio de histórias para contar. No caminho começaram as
dificuldades e surpresas. O próprio caminho, que por não ser tão bem sinalizado
assim, tornou-se difícil achar a saída para San Pedro. Isto se agravava quando
queríamos perguntar a alguém se estávamos no caminho certo. Os carros ou
caminhões passavam com uma freqüência de +/- 1 por hora. Bom, uma vez certos de
que estávamos no caminho correto começamos a contemplar a paisagem. De um lado,
a Cordilheira Da Costa e do outro, a majestosa Cordilheira
dos Andes, no centro uma planície interminável e uma estrada (asfaltada)
que parecia ligar nada a lugar nenhum. Após cerca de uma hora de viagem,
chegamos a San Pedro, um oásis que de longe é avistado como uma mancha verde em
meio àquela aridez. Demos um pequeno passeio pelo povoado e nos dirigimos à
pousada Katarpe, seguindo uma orientação de nossos guias da Patagônia. Na mesma
tarde, fomos visitar o Vale de Luna, um lugar surrealista que
realmente faz jus ao nome, pois a impressão que se tem é de estar em outro
planeta. No dia seguinte, fizemos algumas compras de suprimentos e muita água e
fomos a Tuconao um outro povoado próximo.
Dali rumamos para o famoso Salar de Atacama onde fica a
Reserva Nacional Los Flamencos. Antes de saber que já estávamos nele,
ficamos intrigados com a imensa planície e com a forma da terra que parecia ter
sido arada por trator. Após algum tempo dirigindo é que tomamos consciência de
que tudo aquilo já era o salar e que aquelas placas de terra nada mais eram do
que a crosta de sal que se torna quebradiça com o calor. O ponto mais intrigante
é que no meio do salar existe um lago obviamente salobro, que serve de ponto de
parada dos flamingos em migração vindos da Patagônia.
Infelizmente, por problemas metereológicos, nós perdemos um dos pontos
turísticos mais interessantes do deserto, o Geizer del Tatio. A
estrada que leva ao gêiser foi parcialmente destruída pelas chuvas na região. O
gêiser fica a aproximadamente 4000 m de altitude e seu ponto culminante acontece
às 7h. Portanto, é comum saírem comboios às 4 h em sua direção. Esta subida deve
ser feita em pickups ou semelhantes, e quem deseja passar a noite nestas alturas
deve atentar para algumas checagens nos carros como anti-congelante no radiador
e bons agasalhos, pois a temperatura chega abaixo de zero.
De volta a San Pedro, visitamos a cordilheira do Sal, com suas
formas e cores totalmente particulares. Uma boa noite de sono e no dia seguinte
preparar para retornar a Calama, Santiago e finalmente São Paulo.
Sem dúvida alguma, esta foi uma viagem sensacional que recomendo para todas as
pessoas interessadas em conhecer uma região completamente diferente das que
temos no Brasil.
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