
Travessia Teresópolis - Petrópolis
(03-06 de junho de 1999 - Corpus Christi)
Ligando essas duas cidades existe uma maravilhosa trilha que corta a
Serra dos Órgãos. Nela, quando o tempo ajuda, é possível ter uma das mais
privilegiadas vistas do Rio de Janeiro. Aliás, devo voltar lá para confirmar, pois esta
vista ficou apenas em minha imaginação, uma vez que o tempo não colaborou comigo.
Apesar de ser uma das mais belas trilhas do país, também é
considerada uma das mais difíceis pela duração e pelas dificuldades impostas pelo
relevo. A época mais indicada é durante o inverno, pois teoricamente chove menos e não
há perigos de raios, que torna-se uma ameaça durante o verão, causando vários
acidentes, inclusive fatais.
A travessia tem cerca de 24 Km e para
fazê-la com calma apreciando todo o
visual que ela proporciona são necessários 3 dias. A não ser que você seja muito
experiente em trilhas e conheça muito bem a região é aconselhável fazê-la com guias da
região, pois a trilha não é sinalizada e há muitos pontos onde não é possível
identificá-la.
O meu roteiro
Como estava sozinho para esta viagem decidi faze-la com a equipe do
Carlinhos da
Pousada Paraíso-Açú.
Ele conhece muito bem a região e fornece todo o material de apoio necessário para a
travessia incluindo guias, carregadores, barracas, alimentação e utensílios de cozinha.
Se você necessitar é possível alugar mochila, saco de dormir e isolante. Apesar do
aparente conforto da presença de carregadores, não se iluda que sua mochila irá leve,
pois há muita coisa a ser carregada, principalmente roupas de frio, que são extremamente
úteis. Uma das grandes vantagens da Paraíso-Açú é sua posição geográfica -
exatamente no final da trilha. Isto é uma grande vantagem, pois após um longo esforço
chegar direto no seu quarto e tomar um bom banho e fazer uma refeição deliciosa é muito
gratificante :-)
Cheguei na pousada em
Petrópolis ainda na quinta-feira. Passei o dia
fotografando e descansando para os próximos três que demandariam muito esforço. O dia
estava lindo e prometia bom tempo.
Deveríamos partir as 10h da sexta, porém devido há um problema com
as vans que nos levariam para Teresópolis tivemos um atraso de cerca de 4 horas. A idéia
de fazer a travessia de Teresópolis para Petrópolis tem justamente a finalidade de
proporcionar a chegada diretamente na pousada.
Quando chegamos em Teresópolis fomos surpreendidos por uma frente fria
com denso nevoeiro que limitava a visão a poucos metros. Apesar do mal tempo e do atraso
partimos em direção ao primeiro acampamento. Nosso grupo era composto de 26 pessoas,
sendo 8 carregadores/guias e 18 "turistas". Destes, gostaria de destacar a faixa
etária: de 13 a 75 anos. Foi uma grande surpresa ver 3 pré-adolescentes, Marina, Vânia
e Luíza, fazerem uma trilha deste nível juntamente com o Vitor, que comemorou 51 anos de
trilha. Parabéns para eles!
Apesar do mal tempo e das raríssimas aparições do sol, tivemos uma
temperatura amena, considerando-se a época. Durante o dia a temperatura oscilava entre 10oC
e 15oC chegando aos 8oC durante as noites. Em ambas as noites
tivemos chuva, que não chegou a incomodar. O segundo dia foi o mais difícil, pois com
muita variação no relevo e passagens por locais estreitos era comum o congestionamento
nas trilhas. Por tratar-se de feriado era comum cruzar com outros grupos numerosos.
Como ainda estávamos atrasados devido ao contratempo do primeiro dia,
não conseguimos chegar até o Açu, ponto de acampamento da segunda noite. O que nos
forçou a partilhar de um espaço mínimo com outro grupo para acampamento. O resultado
foi barracas amontoadas uma sobre as outras e sobre terreno nem sempre nivelado. Passei a
noite escorregando para um canto da barraca e sempre preocupado se a chuva não iria
interromper sono a qualquer momento. :-(
No terceiro e último dia vi minhas últimas esperanças de boas fotos
com sol se esvaírem. O dia amanheceu mais uma vez encoberto e não prometia grande coisa.
Partimos para a Açu e ainda alimentava uma esperança do tempo abrir e valer a pena alterar
a rota para ir até os Portais de Hércules. Local de onde é possível avistar uma cadeia
magnífica de montanhas com o Rio ao fundo. Tudo isto segundo quem já viu. :-)
Para fechar o terceiro dia com chave de ouro, pegamos uma chuva muito
forte já no final da trilha, fazendo-nos chegar encharcados a pousada. De certa forma
isto valorizou o banho quente e comida deliciosa!
Gostaria de chamar a atenção para um fato que presenciamos durante a
travessia e que quase acabou em tragédia. Enquanto estávamos no primeiro acampamento
cruzamos com um grupo que estava descendo da Pedra do Sino onde haviam deixado na noite
anterior um dos membros do grupo. Uma rapaz de 17 anos, sem equipamento, água ou comida
que quis passar a noite lá em cima. Durante toda nossa travessia cruzamos com
bombeiros, pessoal do resgate e helicóptero tentando localizá-lo. O que só foi
acontecer na segunda-feira. Ou seja, o rapaz ficou 4 dias perdido na serra sem comer e
dormindo no relento. Graças a Deus não fez tanto frio e ele escapou de morrer de
hipotermia. Portanto, fica aqui mais um aviso: Nunca subestime a mata, principalmente
na montanha.
Dicas
- Utilize equipamentos adequados e de boa qualidade:
- Boa mochila cargueira;
- Botas amaciadas e meias confortáveis;
- Capa de chuva é imprescindível;
- Roupas para frio que permitam a respiração do corpo;
- Lanterna;
- Cantil e germicida para água (hidrosteril);
- Bastões de caminhada podem ser de grande utilidade;
- Para maiores informações sobre a trilha e outras atividades visite a página Campo de Aventuras Paraíso Açú ou fale com o Carlinhos.
Estrada do Bonfim, 3511 - Corrêas - Petrópolis - RJ - (024)2221-3999